Vereadora afirma que buscava esclarecimentos sobre os impactos ambientais do empreendimento e criticou a forma como foi tratada durante a apresentação realizada na CDL.

A vereadora Suely Cabral, conhecida como Suely da Reserva, publicou um vídeo nas redes sociais para se pronunciar sobre o episódio de tensão ocorrido durante a apresentação de um projeto de indústria de biomassa e energias renováveis que poderá ser instalado em Canindé.

Segundo a parlamentar, ela soube da reunião por meio das redes sociais, um dia antes do evento. Mesmo sem ter recebido um convite formal, Suely e outros vereadores compareceram à sede da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) porque consideraram o assunto importante para o município.

A vereadora afirmou que pretendia obter informações sobre a estrutura do empreendimento, os procedimentos burocráticos, o licenciamento e a existência de estudos relacionados aos possíveis impactos ambientais.

De acordo com Suely, o projeto apresentado prevê a produção de energia renovável a partir de biomassa, com destinação do produto ao mercado internacional, incluindo a Holanda. Esses detalhes, entretanto, ainda precisam ser confirmados oficialmente pela empresa responsável.

Vereadora relata que teve fala negada

No pronunciamento, Suely contou que acompanhou as manifestações das autoridades e dos representantes que compunham a mesa. Ao final da apresentação, outro vereador teria recebido espaço para fazer questionamentos sobre o projeto.

Quando solicitou o microfone, porém, Suely afirma que o prefeito Professor Jardel informou que ele e o empresário fariam as considerações finais e, em seguida, encerrariam a reunião.

“Naquele momento, eu me senti anulada, apagada e desrespeitada”, declarou a vereadora.

Suely argumentou que, na condição de representante eleita pela população, deveria ter recebido a oportunidade de apresentar os questionamentos levados por moradores e defensores da causa ambiental.

A parlamentar também afirmou que ela e o marido insistiram para conseguir falar durante o encontro. A situação provocou uma discussão e gerou repercussão nas redes sociais.

Preocupação com a Caatinga

Um dos principais pontos levantados por Suely é a origem da madeira que poderá ser utilizada como biomassa pela indústria.

A vereadora questionou se o empreendimento possui um plano próprio de reflorestamento e quais medidas seriam adotadas para evitar impactos sobre a vegetação nativa. Ela destacou que diversas áreas do município já apresentam sinais de degradação e que a recuperação da Caatinga exige tempo e acompanhamento ambiental.

Suely também defendeu a apresentação de estudos sobre os possíveis impactos climáticos e ambientais antes do início das atividades.

“Por que essa empresa não veio há 15, 20 ou 30 anos plantar primeiro as árvores para que depois, mediante autorização, pudesse utilizar essa matéria-prima?”, questionou.

A parlamentar disse temer que a atividade provoque uma retirada ainda maior da vegetação existente no município. A afirmação representa a preocupação apresentada pela vereadora e depende de esclarecimentos técnicos da empresa e dos órgãos responsáveis pelo licenciamento ambiental.

Empregos e desenvolvimento

Durante o pronunciamento, Suely ressaltou que não é contrária à chegada de empresas, à geração de empregos ou à criação de novas oportunidades para a população de Canindé.

Ela defendeu, entretanto, que o desenvolvimento econômico aconteça com planejamento, transparência, responsabilidade ambiental e participação popular.

A vereadora também mencionou a informação de que o empreendimento poderia movimentar aproximadamente R$ 2 milhões por mês no município. O valor, citado durante sua manifestação, ainda precisa ser detalhado oficialmente, incluindo sua origem, estimativa e possível impacto na economia local.

Pedido por diálogo público

Suely criticou a ausência de um debate mais amplo com ambientalistas, comunidades, entidades e pastorais ecológicas. Segundo ela, não teriam sido realizadas audiências públicas ou encontros específicos com esses grupos antes da apresentação do projeto.

A vereadora pediu que a população tenha acesso a informações como:

  • Estudo de impacto ambiental;
  • Licenciamento do empreendimento;
  • Origem da madeira utilizada como biomassa;
  • Plano de manejo e reflorestamento;
  • Volume de vegetação necessário para a produção;
  • Quantidade de empregos diretos e indiretos;
  • Investimento previsto para o município;
  • Medidas de prevenção contra a degradação ambiental;
  • Fiscalização das atividades da empresa.

“A minha voz não será calada”

Ao encerrar o pronunciamento, Suely afirmou que continuará apresentando questionamentos sobre o empreendimento e defendendo a preservação ambiental.

A parlamentar também destacou o trabalho que desenvolve na proteção da fauna e da flora, incluindo o apoio à recuperação de animais apreendidos do tráfico.

“A minha voz o senhor não cala”, declarou Suely ao dirigir-se ao prefeito.

As declarações apresentadas pela vereadora representam a versão dela sobre o episódio. O espaço permanece aberto para que o prefeito Professor Jardel, a Prefeitura de Canindé e os representantes da empresa esclareçam as circunstâncias da reunião e apresentem informações técnicas sobre o empreendimento.