Antes mesmo de o calendário marcar o dia 7 de outubro, devotos e romeiros já seguiam rumo à cidade de Canindé para o início dos Festejos a São Francisco das Chagas, que seguem até o dia 17 de outubro, no Santuário dedicado ao padroeiro da cidade cearense. As caminhadas, tradicionalmente, marcam esta abertura, conduzindo todos os passos e caminhos para uma mesma direção e sentido.

No patamar da Basílica, músicas, hinos e orações acolhiam e preparavam os corações para o início de mais uma Festa. Quando o relógio da Basílica marcava 4h, um dos momentos mais esperados do ano se anunciava com os hasteamentos das bandeiras do Brasil, da cidade de Canindé e, conduzida por membros da Fraternidade Franciscana, a bandeira de São Francisco. Enquanto os olhos emocionados acompanhavam a subida da bandeira, os lábios e o coração acompanhavam o ritmo do hino conhecido como “Raia Aurora”, que este ano celebra 100 anos de sua composição e que narra da melhor forma os sentimentos envoltos na romaria.

Em seguida, a programação prosseguiu com a Santa Missa de Abertura, presidida pelo reitor do Santuário, Frei Gilmar Nascimento, OFM, concelebrada por frades locais e de outros lugares da Província e padres da Diocese de Baturité. A liturgia da Celebração seguiu em unidade com a memória de Nossa Senhora do Rosário, celebrada na Igreja a cada dia 7 de outubro.

Os textos litúrgicos, mostrando o sim e a dedicação da Virgem Maria junto à comunidade cristã, enriqueceram ainda mais a fé dos devotos que, nos próximos dias, se reúnem para aprender com o testemunho de São Francisco, que tanto amou a Mãe de Deus, e foram a base da reflexão de Frei Gilmar, que frisou os temas da perseverança na oração, do silêncio e da missão.

Confira na íntegra a Abertura da Festa de São Francisco das Chagas 2026:

Na homilia proferida para a comunidade, Frei Gilmar iniciou recordando os 







últimos jubileus celebrados nos últimos anos e que nos conduzem até a celebração dos 800 anos do Trânsito de São Francisco, motivados pelo tema “São Francisco, da vida até a morte, um chamado à santidade”.

O primeiro ponto lembrado foi a perseverança da Virgem Maria junto aos apóstolos em oração. “Este exemplo de Maria nos faz lembrar de Francisco, que não era um homem de oração, mas um homem feito oração”, destacou o celebrante. Relacionando os dois testemunhos, o reitor lembrou que ambos conseguiram, mesmo nos momentos de adversidade, perseverar e perceber os sinais de Deus em sua vida.

Um segundo ponto é o silêncio. Frei Gilmar, lembrando o Evangelho do dia, que narra a anunciação do Anjo, recordou que, diante da mensagem de Deus, Maria escuta através do silêncio, pois só quem é capaz de silenciar é capaz de escutar a vontade de Deus. E assim vemos Maria dando uma resposta comprometida, pois maturou em seu coração a vontade de Deus. Ligando mais uma vez ao exemplo de São Francisco, o presidente da celebração recordou que Francisco foi o homem do silêncio, e isso não significava a ausência de ruídos, mas era um silêncio capaz de escutar e compreender a vontade de Deus em sua vida.

Seguindo para um terceiro ponto, o frade destacou que Francisco, da vida até a morte, seguiu o exemplo de Nossa Senhora, pois foi um homem perseverante na oração, do silêncio para escutar a Palavra de Deus e, assim, até chegar ao tema da missão, que, segundo o reitor, precisa ser realizada na oração, para uma escuta da vontade de Deus e só assim colocar em prática aquilo que o Senhor põe no coração.

Frei Gilmar, a partir destes testemunhos, lembrou aos fiéis que a beleza de perseverar na oração está em perceber, mesmo nas dificuldades, que Deus se faz presente em nossa vida e que, em meio a um mundo barulhento e cheio de tantas vozes e ódio, é preciso perceber, no silêncio, a presença amorosa de Deus em nossa vida.

Concluindo a homilia e destacando ainda o tema da missão, Frei Gilmar lembrou que a forma de São Francisco de pregar o Evangelho estava intimamente ligada ao testemunho de vida e pediu para que seu exemplo interpele cada um dos seus devotos, para que, através do jeito de ser e da forma de conviver, todos possam evangelizar, transmitindo o amor de Deus que se faz presente em cada coração.

O rito da Celebração deu continuidade com a Ladainha de São Francisco, a Liturgia Eucarística e os ritos finais. Ao final da celebração, Frei Gilmar agradeceu a todas as pessoas que se empenharam nas caminhadas e pediu a colaboração dos presentes para a organização no dia do arreamento das bandeiras, que acontece no próximo dia 18 de outubro. Explicando como acontecerá a descida da bandeira de São Francisco, o reitor afirmou que acontecerá mantendo a tradição, de forma organizada, sendo feita pelos frades e, em seguida, entregue à comunidade para que siga pelas ruas da cidade.

Confira os registros desse momento:

Ao som da oração atribuída a São Francisco, a comunidade acolheu a presença da Relíquia de São Francisco e, em seguida, os frades conduziram a bênção final da celebração.

A programação deste primeiro dia, segue com Missas as 9h e 16h na Quadra da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes e as 18h, a primeira procissão com o Painel de São Francisco saindo da Basílica e percurso pelas ruas Aristides Rabelo, Avenida José Veloso Jucá, Antônio Neco, João Bastos, Joaquim Custódio, Romeu Martins, Joaquim Magalhães, Gervásio Martins e Basílica.

Texto: Roberto Alves – SerCom do Santuário.

Fotos: Luan Nascimento e Karine Mendes | Pastoral da Comunicação.