Do total acumulado, R$ 2,043 bilhões foram obtidos com dividendos pagos a residentes no Brasil. Outros R$ 1,102 bilhão vieram de valores pagos ou remetidos ao exterior.

Julho registrou a maior arrecadação mensal desde o início da cobrança, com R$ 906,65 milhões. O resultado representa uma alta em relação aos R$ 701,5 milhões arrecadados em junho.

A arrecadação mensal passou de R$ 5,5 milhões em janeiro para R$ 151,5 milhões em fevereiro, R$ 306,6 milhões em março, R$ 421,5 milhões em abril, R$ 651,9 milhões em maio, R$ 701,5 milhões em junho e R$ 906,65 milhões em julho.

Também houve aumento nos valores relacionados a dividendos remetidos ao exterior. Essa modalidade somou R$ 419,28 milhões em julho, ante R$ 5 milhões registrados em janeiro.

A previsão inicial do governo era arrecadar cerca de R$ 28 bilhões em 2026 com a tributação de dividendos acima de R$ 50 mil por mês. O valor foi revisado para R$ 17,2 bilhões no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas divulgado em julho.

O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, afirmou que ainda não há elementos técnicos suficientes para concluir que a arrecadação esteja abaixo do esperado. Segundo ele, a distribuição de lucros não segue um calendário fixo e depende das decisões de cada empresa.

A cobrança começou em 1º de janeiro de 2026, após alterações estabelecidas pela Lei 15.270, de novembro de 2025. Para pessoas físicas residentes no Brasil, incide alíquota de 10% sobre lucros e dividendos pagos pela mesma empresa à mesma pessoa no mês quando o valor ultrapassa R$ 50 mil. A mesma alíquota vale para valores pagos, creditados ou remetidos ao exterior.

A medida foi criada para compensar parte da perda de arrecadação provocada pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais. A mudança também reduziu o imposto para contribuintes com renda mensal de até R$ 7.350.

A próxima revisão das projeções está prevista para setembro, quando será divulgado novo Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas. O ajuste definitivo relacionado ao imposto mínimo sobre altas rendas será feito posteriormente, na declaração anual.